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Em dia de celebração, mulheres resgatam história das trabalhadoras no movimento sindical

28/11/2016

O dia de celebração dos 30 anos da Criação da Comissão da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, realizado na última sexta-feira (25), contou com reencontros históricos de mulheres que atuaram e atuam na luta pela promoção e defesa da igualdade. O ato ocorreu na sede da Central, na capital paulista.

Depois da solenidade de abertura que contou com a presença de dirigentes cutistas, as participantes assistiram a um minidocumentário com entrevistas e imagens que resgataram momentos importantes da criação da Comissão da Questão da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, que foi criada em 31 de agosto de 1986, após aprovação no 2º Congresso Nacional da CUT (CONCUT), na época ligada à Secretaria de Política Sindical. Em 2006, torna-se a atual Secretaria Estadual da Mulher Trabalhadora.

Após a exibição do vídeo, sindicalistas que já foram coordenadoras e secretárias da pasta fizeram uma saudação e lembraram desafios e conquistas durante suas passagens.

Em 25 de novembro, também Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, as participantes também falaram sobre o combate à violência. Entre as convidadas de uma das mesas estiveram Denise Motta Dau, secretária municipal de Políticas para as Mulheres de São Paulo, Rachel Moreno, psicóloga, pesquisadora e integrante do Observatório da Mulher e na Rede Mulher e Mídia, Nalu Faria, coordenadora da Sempreviva Organização Feminista e da Marcha Mundial das Mulheres, com a mediação de Célia Passos, dirigente do Sindicato dos Químicos de São Paulo.

 

Encontro de coordenadoras e secretárias da Mulher Trabalhadorada CUT-SP
Encontro de coordenadoras e secretárias da Mulher Trabalhadorada CUT-SP
Nalu afirmou que pautar a violência contra a mulher, nos anos 1980, era difícil por conta da ideia que era algo natural, de que a mulher era culpada pela agressão. “Levamos anos para que o assunto pudesse ser compreendido. Nos bairros, a gente fazia mais debate sobre saúde da mulher do que diretamente o debate da violência. Tudo porque era difícil trazer o assunto, pois era uma questão muito naturalizada entre as mulheres”.

 

Raquel recordou que ajudou na realização do 1º Congresso da Mulher Metalúrgica de São Bernardo do Campo e Diadema, em 1978, e que nesse período havia o enfrentamento com pessoas dos mais variados campos da direita e da esquerda. Ela conta que o primeiro grupo dizia que essa luta era coisa de mulher mal amada, enquanto que o segundo acreditava que não era uma agenda prioritária do momento. “Companheiro, a gente não pode dizer pra mulher que ela tem que continuar apanhando até a gente conseguir fazer a revolução para só depois discutir isso. Não dá!”, lembra.

Já Denise, que já foi dirigente da CUT, analisou o atual momento político, que coloca em risco muitos dos avanços obtidos nos últimos anos e ressaltou que as mulheres, mesmo após alguma conquista política, precisam continuar lutando para que ela não seja extinta. “As mulheres precisam sempre estar na luta, seja pela manutenção do que já foi conquistado ou para garantir mais avanços”.

História

 

Participantes da mesa sobre combate à violência
Participantes da mesa sobre combate à violência
Em outra mesa, ex-coordenadoras contaram momentos marcantes do início do movimento de mulheres na CUT. Estavam Clara Ant, Didice Godinho Delgado e a dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Ana Nice Martins, única mulher negra eleita neste ano para vereadora em São Bernardo (SP). Pesquisadora da USP e feminista, Vera Soares fez a mediação desse encontro.

 

Clara Ant contou das dificuldades iniciais que teve ao brigar pela inclusão de mulheres nos espaços discussão da classe trabalhadora, que no início era marcado por uma massiva presença de homens. “Todos aqueles adjetivos que a [presidenta] Dilma recebeu durante o governo dela e depois, eu já tinha experimentado, por exemplo, em porta de sindicato durante momentos de eleição entre chapas”, recordou , ela que foi deputada estadual ente 1987 e 91 e atuou no processo da constituinte.

Em sua fala, Didice saudou o compromisso da CUT com a promoção da igualdade ao garantir em sua composição a paridade de gênero. “A experiência da CUT é um exemplo para o sindicalismo mundial. Durante toda a nossa história, desde as primeiras iniciativas para se constituir uma organização de mulheres da CUT, a gente cobrava uma coerência com esses princípios fundadores, pois democracia significa também participação das mulheres”.

 

Aula magna - 30 anos da organização das mulheres na CUT-SP: história de luta, direitos e conquistas e a defesa da democracia
Aula magna - 30 anos da organização das mulheres na CUT-SP: história de luta, direitos e conquistas e a defesa da democracia
Já Ana Nice Martins trouxe um recorte do número de mulheres participantes das gestões do sindicato ao qual representa, apontando um aumento na média, hoje em torno de 15%, mas que ainda precisa ser ampliado.

 

Ao término das atividades no auditório, as participantes desceram ao saguão da entidade, onde ocorreram homenagens às mulheres protagonistas da luta sindical, representando inúmeras categorias que, nessas três décadas de atuação, estiveram na luta por avanços que promoveram mudanças significativas na vida das trabalhadoras, contribuindo para o aumento da participação das mulheres nos sindicatos e na CUT.

O evento contou, ainda, com uma exposição de fotos com o histórico dos últimos anos e com apresentações de Deise Capelozza, do Sindicato dos Gasistas do Estado de São Paulo, e Inez Galardinovic, do Sindicato dos Bancários do ABC, que interpretaram canções da música brasileira.  

Fonte: CUT-SP

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